Auditorias segundo a norma ISO 19011

O assunto das auditorias necessitava de consenso relativamente a questões como os princípios básicos de auditoria, critérios e práticas , bem como as orientações para a criação, planeamento, execução e documentação de auditorias.Esse consenso foi obtido em 1990 com a edição do par de normas:
  • ISO 10011-1:1990 - Guidelines for auditing quality systems - Part 1: Auditing
  • ISO 10011-2: 1991 - Guidelines for auditing quality systems - Part 2: Qualification criteria for quality systems auditors.
Em 2002 são substituídas pela norma ISO 19011:2002 - Guidelines for quality and/or environmental management systems auditing com o intuito de igualmente substituir as normas de sistemas de gestão ambiental (da família ISO 14000) que, entretanto, tinham sido lançadas, como sejam:
  • ISO 14010:1996 - Guidelines for environmental auditing -- General principles 
  • ISO 14011:1996 - Guidelines for environmental auditing -- Audit procedures -- Auditing of environmental management systems
  • ISO 14012:1996 - Guidelines for environmental auditing -- Qualification criteria for environmental auditors
A partir de 2002 existe uma norma que agrega as cinco anteriores normas sob o mesmo tema, sendo aplicável a auditorias a sistemas de gestão da qualidade e ambiente. Vivendo numa sociedade em constante evolução, estes dois temas (qualidade e ambiente) jamais respondem a todas as dimensões da gestão (veja-se por exemplo o caso da informação e das tecnologias de informação), despontando então uma série mais de disciplinas que também careciam de auditorias aos seus sistemas.
Aparece então em 2011 a (actual) versão da ISO 19011 sendo que a mesma norma Guidelines for auditing management systems é aplicável a todos os sistemas de gestão.
Nessa altura havia já 11 normas de sistemas de gestão, mas o número continuou a crescer: hoje haverá 39, estando mais 12 em desenvolvimento! São normas de sistemas de gestão que cobrem áreas tais como a saúde, o turismo, os serviços, a informação, a segurança rodoviária, a gestão de activos, a manutenção, os recursos humanos, etc. A norma de 2011 já faz referência ao risco e a novas abordagens de actuação como auditorias à distância (remota com intervenção humana através de meios de comunicação interactivos).
Mas a verdade é que as mais populares normas de sistemas de gestão (ISO 9001 e ISO 14001) foram revistas no final de 2015 e como tal as auditorias a esses sistemas devem reflectir a variedade e o número de normas desenvolvidas.
Surge então a ISO 19011 de 2018 (só traduzida e lançada pelo IPQ em 2019), cujas diferenças para a de 2012 se apresentam no texto da norma:
As principais diferenças em relação à segunda edição são as seguintes:
  • foi adicionada a abordagem baseada no risco aos princípios de auditoria;
  • foram alargadas as orientações relativas à gestão de um programa de auditoria, incluindo o risco do programa de auditoria;
  • foram alargadas as orientações relativas à condução de uma auditoria, em particular na secção relativa ao planeamento da auditoria;
  • foram alargados os requisitos relativos às competências gerais dos auditores;
  • foi reajustada a terminologia para refletir o processo e não o objeto ("coisa");
  • foi retirado o anexo contendo requisitos de competências para auditar disciplinas específicas de sistemas de gestão (atendendo ao elevado número de normas individuais de sistemas de gestão, não seria praticável a inclusão de requisitos de competências para todas as disciplinas);
  • foi ampliado o Anexo A para incluir orientações para auditoria de (novos) conceitos tais como contexto da organização, liderança e compromisso, auditorias virtuais, conformidade e cadeia de fornecimento.

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