segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Custos da qualidade

Conceitos de custos da qualidade surgiram a partir da literatura de controlo da qualidade no sentido de oferecer suporte às acções de melhoria e como forma de medir a qualidade das empresas. Juran discute custos da qualidade pela primeira vez em 1951 no seu livro Quality Control Handbook.

Mas o que são então os custos da Qualidade?

Custos da qualidade são os custos associados à obtenção e manutenção da qualidade numa organização, seja de tipo industrial, seja de serviços. As definições de custos de qualidade variam de acordo com a definição de qualidade e estratégias adoptadas pela empresa, o que leva a diferentes aplicações e interpretações.

Segundo Juran, custos da qualidade são aqueles custos que não deveriam existir se o produto saísse perfeito da primeira vez. Juran associa custos da qualidade com as falhas na produção que levam a retrabalho, desperdício e perda de produtividade.

São decomponíveis em custos de prevenção e avaliação e custos de falhas (internas e externas).

Compreende-se que os custos de prevenção são todos os custos incorridos para evitar que falhas aconteçam no processo produtivo. Estes gastos com a prevenção compreendem tanto investimentos quanto custos que evitem a geração de produto defeituoso, que resultam de erros no sistema produtivo.

Já os de avaliação são os custos de ensaios e de inspecções para avaliar se a qualidade especificada está sendo mantida. É a soma dos custos de avaliação interna (actividades de avaliação de produtos e processos no interior da empresa) e da externa (actividades de avaliação de produtos recebidos do exterior pela empresa).

Os custos das falhas internas são todos aqueles incorridos devido a algum erro do processo produtivo, seja ele falha humana ou falha mecânica. Quanto mais cedo erros são detectados, menores serão os custos envolvidos para corrigi-los.

Os custos de falhas externas são aqueles decorrentes de falhas no produto ou serviço quando estes se encontram no mercado e/ou são adquiridos pelo consumidor final.

Falhas externas ocasionam grandes perdas em custos intangíveis, como destruição da imagem e credibilidade da empresa.

Muitas das ideias pré-concebidas do mercado passam por considerar-se os sistemas de gestão da qualidade e sua certificação como uma simples exteriorização de uma marca de qualidade («obtenção da bandeira»). Nada mais errado: é sabido por estudos efectuados a escala elevada que a implantação de sistemas de gestão da qualidade reorganiza a casa, no sentido físico da arrumação e limpeza, e nas práticas e procedimentos a que as empresas se obrigam. Parte dessas práticas são de prevenção de problemas e por isso pode dizer-se sem margem de erro que os sistemas de gestão da qualidade permitem às empresas diminuir custos da qualidade, porque diminuem as falhas, gerando assim mais margem para o negócio. Se calhar em vez de se esmagar o preço em promoções e actividades afins, o empreendedor tenha que pensar seriamente na eficiência, numa perspectiva de só gastar o que é estritamente necessário, sem surpresas, reclamações e devoluções.

Ainda há quem não acredite. É nossa missão espoletar a mudança.

José Cândido, Qualdouro

1 comentário:

PRMBLOGGER disse...

Caro Cândido
O artigo tem muito interesse, não só por ser uma temática de importância crucial para as empresas - fazer bem à primeira, reduzindo custos de reprocessamento, mas tambem porque nos pode fazer reflectir um pouco mais sobre a necessidade (urgente) de mudanças na nossa cultura de gerir e realizar as nossas diversas actividades.

Arquivo do blogue