terça-feira, 1 de junho de 2010

Herança natural

Encarar a sustentabilidade como hábito pode ser a receita para viajar de consciência limpa. E garantir belos cenários para as próximas gerações.

Antes de escolher um hotel, você normalmente avalia se é confortável, tem boa localização e diárias compatíveis com o orçamento da viagem. Até aí nada de novidade. Só que essa lista está sendo ampliada - e com itens que até algum tempo atrás poucos prestavam atenção. Uso de energia solar, ações de reciclagem e atitudes sustentáveis começam a pesar na hora da decisão. Dado animador às vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente, a ser comemorado no sábado.

"O consumidor quer viajar, mas sem sentir culpa por um possível impacto na natureza", explica a coordenadora técnica do Instituto EcoBrasil, Ariane Jáber. Apesar de no Brasil esse "raciocínio sustentável" ser novidade, parte dos turistas estrangeiros já pensam assim, segundo a professora Karin Decker, do curso de Turismo da Anhembi Morumbi.

E o que vale para aquela pousadinha numa região de lindas cachoeiras ou aquele resort perto da área de desova de tartarugas marinhas também precisa ser levado a sério pelos destinos ligados ao ecoturismo. Afinal, eventuais danos causados à natureza hoje podem interromper a chegada de visitantes amanhã.

Ainda há muito o que fazer num país onde as belezas se espalham pelos 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território, mas alguns locais já avançaram na questão ambiental a ponto de servirem de exemplo. É o caso de Bonito (MS), onde comunidade, governo e iniciativa privada se uniram em prol do turismo sustentável. Definido por planos de manejo específicos, o número de visitantes em cada passeio tem limite diário rigoroso. "É mais fácil planejar com sustentabilidade que consertar os danos depois. E a cidade se planejou", explica Ariane, do EcoBrasil.

A ideia, agora, é criar um modelo semelhante para a Amazônia. "Queremos despertar o interesse do brasileiro para a região. É possível aproveitar os 1 milhão de turistas que vão até ali a negócios e oferecer roteiros complementares", diz o coordenador da Agência de Desenvolvimento do Turismo da Macroregião Norte, Aristides Cury. "Até o fim do ano, teremos mais opções a partir de Belém e Manaus."

Ministério do Meio Ambiente e Sebrae montaram programas de capacitação da mão de obra local. "Tudo isso vai criar uma sinergia. O desenvolvimento sustentável ajuda na distribuição de renda e na fiscalização da natureza", acredita Cury.

Bom negócio. Os números mostram que a sustentabilidade também pode ser um bom negócio. Segundo a Organização Mundial do Turismo, o ecoturismo cresce 20% ao ano. No primeiro dia do Salão do Turismo, realizado em São Paulo semana passada, mais da metade dos negócios (em torno de R$ 10 milhões) foram feitos neste setor. Reflexo da crescente demanda nacional.

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,heranca-natural,559816,0.htm

Para profissionalizar as empresas da área, o Ministério do Turismo criou em 2006 o programa Aventura Segura. Coube à Associação Brasileiras das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta) elaborar normas com princípios de segurança, gestão e qualidade do serviço. A etapa seguinte, iniciada em março, foi fazer o processo de certificação. Quinze empresas foram aprovadas - até o fim do ano, o total deve chegar a 130.



Outras duas já têm o documento: Kango Jango, de Socorro, e Alaya, de Brotas. Em Brotas, aliás, o turismo surgiu para impedir a instalação de um curtume às margens do Jacaré-Pepira, nos anos 1990. Sucesso: o rio continuou intacto. Uma herança e tanto para as próximas gerações.

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