domingo, 13 de fevereiro de 2011

Não volto lá!

Tinha que passar uma noite fora, mercê de afazeres profissionais, ora pois, e escolhi um hotel barato, o tempo é mesmo de crise.


O primeiro pensamento quando lá cheguei prendeu-se com a reconversão turística: venderam me um hotel de 3 ***, e quando lá cheguei encontrei um «Hotel de 3 *** Residencial» (uma tipologia inexistente, entenda-se). Podia ter perguntado à entrada à menina que me recebeu (sem grande sorriso, sem grande alegria), mas era tarde, eram quase 23h de um dia de trabalho que começara cedo, e não havia tempo para grandes conversas. Só lhe perguntei se havia lugar na garagem (tinha lido na descrição do hotel que este possuía garagem e quase tremi quando me disseram que «tinha que ver se tinha lugar». Percebi, depois da dita senhora ter obrigado o companheiro a tirar o seu automóvel da frente, que um hotel com 30 quartos possuía 4 lugares de garagem no momento, o que não dá direito aos 10 pontos opcionais na reconversão turística!...

A chegada ao quarto, depois de uma passagem por espaços comuns um pouco decrépitos, é um misto de respostas que surpreende: fechaduras electrónicas (um «opcional» a valer 5 pontos para a classificação (referida no website de «3 estrelas»), mas curiosamente não tinha telefone no quarto com acesso directo à rede exterior, requisito que é obrigatório para qualquer empreendimento hoteleiro, qualquer que seja o número de estrelas, o que punha em causa o serviço de despertar (este obrigatório para as 3 estrelas).

Quanto ao Sistema de iluminação de segurança, de acordo com o disposto na legislação aplicável e o Sistema de prevenção de riscos de incêndio de acordo com o disposto em diploma próprio, não estaria em conformidade, a julgar pela altura dos extintores e pela planta de emergência.

O que é curioso é que desta vez não senti forças para qualquer reclamação (sim, sou dos que reclamo), até porque vi com apreço a reconversão das casas-de-banho (novas, funcionais, bonitas e higiénicas). Mas não volto lá.

E porquê? Porque não quero estar sujeito à «imposição» do hotel do seu serviço, num estilo «se pagas pouco, tanto faz». A qualidade pode ser vista a partir de várias dimensões, mas é, defendo-o, na essência, a satisfação do cliente. Pelo simples facto de nada me perguntarem sobre o serviço, sobre o Hotel, significa que estão pouco preocupados com a minha satisfação. Complexo de inferioridade? Talvez. Talvez haja quem pense que por ser Hotel de 1 ou 2 estrelas não possa ser gerido com foco no cliente. Nada mais errado. Nem só de diamantes vive o joalheiro.

Transparência no contrato, compromissos honrados e canal aberto à comunicação (satisfação) do cliente são ingredientes que ficam sempre bem, que dão sabor.

A atitude deste Hotel é amarga, e será para sempre mais um exemplo daqueles que vivem do 1º cliente, pois à segunda vez, este vai para outro empreendimento. Afinal, vendo bem, nem tão barato era, outros há ao mesmo preço. E vou ter que experimentar.


José Cândido

3 comentários:

mario carvalho disse...

Parabéns

só assim se defende e impoe a qualidade

mario

Daniel Conde disse...

Estrelas não são sinónimo de qualidade, apenas de tipologia e disponibilidade de serviços. Mas isso todos nós sabemos.

Ou então não; num país em que trabalhar decentemente é um frete e o deixa-andar é Lei, não se pode esperar melhor. Depois dizem por aí que o problema da falta de competitividade da Economia Portuguesa reside na facilidade ou não em se despedir trabalhadores.

Sublime...

Paulo disse...

A focalização no cliente, a preocupação em servi-lo bem, deve ser um objectivo fundamental de qualquer empresa. Ao desvalorizar isso estão a hipotecar o seu futuro.

Paulo Fonseca

Arquivo do blogue